Síntese do Estágio:

LIMA, Maria Socorro Lucena; PIMENTA, Selma Garrido. Estágio e Docência. São Paulo: Cortez Editora, 2004.paginas 61à 68.

Estágio e construção da identidade profissional docente

 O estágio como campo de conhecimentos e eixo curricular central nos cursos de formação de professores possibilita que sejam trabalhados aspectos indispensáveis à construção da identidade, dos saberes e das posturas específicas ao exercício profissional docente. Os estudos e pesquisas sobre a identidade docente têm recebido a atenção e o interesse de muitos educadores na busca da compreensão das posturas assumidas pelos professores.

A identidade do professor é construída ao longo de sua trajetória como profissional do magistério. No entanto, é no processo de sua formação que são consolidadas as opções e intenções da profissão que o curso se propõe legitimar.

 O estágio torna-se um lugar de reflexão sobre a construção e o fortalecimento da identidade, conforme Buriolla (1999, p.10), “o estágio é o locus onde a identidade profissional é gerada, construída e referida; volta-se para o desenvolvimento de uma ação vivenciada, reflexiva e crítica e, por isso, deve ser planejado gradativa e sistematicamente com essa finalidade”.

A Psicologia Social, por exemplo, contribui para essa visão interdisciplinar ao analisar a identidade em sua dimensão política, considerando a atividade produtiva de cada indivíduo e das condições sociais e institucionais em que essa atividade ocorre. Assim a identidade vai sendo construída com as experiências e a história pessoal, no coletivo e na sociedade. No caso da identidade profissional, aponta que sua construção carece de espaços de formação ou de emprego para se estruturar, sendo, portanto “o encontro de trajetórias socialmente condicionadas por campos socialmente estruturados” (Dubar, 1997, p.77).

A consideração dos processos subjetivos e objetivos na construção da identidade levou à construção dos conceitos de profissão e de profissionalismo docente.

Sobre a vida profissional dos professores, é necessário lembrar o sentido do trabalho humano e, em decorrência, a influência que as profissões exercem sobre a vida das pessoas. Os estagiários nesse momento de suas vidas preparam-se para a profissão docente ou para legitimá-la. Assim, mesmo acreditando em si e na profissão, o estagiário pode esbarrar no contexto, em situações de desgaste, cansaço e desilusão dos profissionais da educação, nas condições objetivas das escolas, muitas vezes invadidas por problemas sociais, cuja solução está longe de sua área de atuação.

O papel do professor traz para o indivíduo a necessidade de um preparo para o desempenho adequado. Estudos realizados sobre a formação docente nos cursos de licenciatura mostram a legitimidade que estes exercem não apenas pelo diploma que conferem, como também pelas atividades e conhecimentos que proporcionam. É necessário refletir com os estagiários como estão se construindo professores: Quais os professores que marcaram sua(s) caminhada(s)? O que significa ser professor? Quais os fatos e oportunidades em suas vidas que conduziram à opção pelo curso de magistério?

Dessa forma, os saberes, a identidade profissional e as práticas formativas presentes nos cursos de formação docente precisam incluir aspectos alusivos ao modo como a profissão é representada e explicada socialmente.

Mobilizar os saberes da experiência é, pois, o primeiro passo num curso de didática e de prática de ensino que propõe mediar o processo de construção de identidade dos futuros professores. O estágio, ao promover a presença do aluno estagiário no cotidiano da escola, abre espaço para a realidade e para a vida e o trabalho do professor na sociedade.

A formação envolve um duplo processo: o de auto formação dos professores a partir da reelaboração constante dos saberes que realizam em sua prática, confrontando suas experiências nos contextos escolares, e o de formação nas instituições escolares onde atuam.

1. Contribuições à construção da identidade docente: estudos e pesquisas

 

O Endipe – Encontro Nacional de Didática e Prática de Ensino – tem se constituído em um dos espaços de discussão e troca de experiências, estudos e pesquisas na área da Pedagogia que mais têm agregado os educadores em torno dos desafios da formação docente e da construção de sua identidade nas últimas décadas. É um espaço que proporciona troca de experiências e diálogo pedagógico e para onde convergem as perspectivas, esperanças e problemas dos professores orientadores de estágio, dos gestores, dos estudiosos do currículo e das políticas educacionais de outras áreas que trabalham com a formação de professores e que convivem no mesmo momento histórico da educação no país. O Endipe tem, portanto, exercido o importante papel de promover o diálogo, a participação e a troca de experiências entre docentes e pesquisadores.

O objetivo deste texto é refletir sobre a contribuição desses encontros para a produção do conhecimento na área do estágio supervisionado, procurando encontrar respostas aos problemas e gerando novas questões como: o que podemos colher dos Endipes para repensar o estágio? Quais os pontos comuns e as diferenças que podem ser encontradas nas experiências e pesquisas sobre estágio? Quais os conceitos e fundamentos que permeiam as produções escritas dos professores? Quais as aprendizagens e as lições do conjunto desses trabalhos? Para onde vai o estágio?

Ivana Lage

 

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